O TRONO DAS SOMBRAS ETERNAS
No alto da colina, ergue-se o trono das sombras,
cercado por torres que perfuram nuvens carregadas,
cada pedra carregando a memória de reis e fantasmas,
cada arco gótico guardando ecos de eras esquecidas.
O vento percorre os corredores vazios,
trazendo o cheiro de velas apagadas e livros antigos,
sussurros se enredam nas tapeçarias gastas,
e o chão de pedra ressoa passos que nunca foram dados.
As janelas estreitas refletem a lua sangrenta,
criando mosaicos de luz e sombra que dançam lentamente,
e no salão central, candelabros tremem como se respirassem,
acompanhando a cadência de corações que ousam sentir.
Nos jardins sombrios, rosas negras se curvam,
espinhos retorcidos pontuam caminhos de neblina,
e estátuas antigas parecem vigiar cada movimento,
guardando segredos que nem o tempo ousa tocar.
Nas criptas subterrâneas, lamentos ecoam,
cada nome murmurado ressoa com melodias tristes,
cânticos que atravessam séculos,
um poema silencioso de dor e beleza entrelaçadas,
que fala àqueles que se atreverem a escutar.
O trono das sombras não é apenas pedra e escuridão,
é memória viva, desejo profundo, melancolia sublime,
um refúgio para almas que buscam sentir, para
que entendem que a beleza também habita na dor.
A noite se aproxima, a lua escarlate domina o céu,
banhando tudo em tons de sangue e prata,
como se lembrasse que até no abismo mais profundo,
há poesia, há mistério, há vida pulsando,
e que cada sombra, cada sussurro, cada lembrança
faz parte de uma eternidade silenciosa
que habita dentro de nós, eternamente.