SUSSURROS NA PENUMBRA
A noite veste-se em veludo negro,
silêncio percorre corredores antigos,
cada sombra guarda segredos esquecidos,
e o vento traz lamentos suaves entre as árvores.
Velas tremem em alcovas escondidas,
o perfume do incenso mistura-se à bruma,
ecoam risos distantes de fantasmas gentis,
e o coração pulsa no compasso da escuridão.
Janelas abertas revelam luas sangrentas,
refletem em espelhos rachados histórias de outrora,
cada lembrança é um espectro que dança,
cada passo desperta ecos que se enredam na alma.
O relógio silencia sua marcha implacável,
o tempo se curva diante da noite eterna,
o olhar se perde entre lustres e tapeçarias,
e a respiração se torna sussurro quase indizível.
Entre paredes frias e candelabros gotejantes,
há beleza na melancolia, graça na solidão,
pois tudo que é sombrio tem seu encanto secreto,
e todo silêncio se transforma em música da penumbra.