A VOZ DA TORRE
Lá no alto, onde o céu parece mais pesado,
uma torre vigia noites sem estrelas.
Seus degraus ecoam como lamento antigo,
e as sombras se movem pelas fendas.
Quem sobe até ela sente o ar mudar,
ficando mais denso, mais lento, mais frio.
O vento gira em círculos ao redor,
como se desenhasse um aviso sombrio.
No topo, a voz começa a cantar:
um canto que não pertence a criatura viva.
Não é lamento — é aviso velado,
uma promessa soturna, quase cativa.
Dizem que guarda uma história adormecida,
um pacto selado num tempo esquecido.
E a torre permanece, firme, silenciosa,
protegendo um mistério jamais dissolvido.