SONETO DO AMANHECER INTERIOR
Quando a tristeza pesa como um fardo,
e o riso adormece na contramão;
há sempre um verso a despertar no bardo,
refazendo em cores a escuridão.
A vida ensina: é áspera, mas nobre,
que o pranto lava e semeia o chão;
e o tempo, generoso e doce cobre
de flores novas a recordação.
Não chorem, pois a dor é passageira,
como o frio que antecede a primavera;
logo o sol beija a alma derradeira.
Que teu olhar reencontre a atmosfera,
onde o amor dança, livre, à sua maneira,
num céu de paz, onde a esperança impera.