A NOITE RESPIRA
A mansão silencia quando o vento chega,
como se temesse despertar memórias.
As paredes guardam passos esquecidos,
e janelas choram luz mortiça.
O piso range sob pés invisíveis,
lembrando histórias que o tempo não levou.
Um quadro torto observa o corredor,
como se soubesse mais do que mostrou.
No fundo, aquela porta antiga
bate sozinha — pedindo para ser ouvida.
Ninguém ousa tocá-la, pois dizem que guarda
um segredo inquieto, ainda sem vida.
O relógio marca horas impossíveis,
e a lareira acende sem razão alguma.
A noite respira ali dentro, profunda,
misturando poeira, assombros e lua.