O CAFÉ DAS DEZ
Para Jorge Luiz, o café das dez não é apenas um hábito: é um ritual. Nesse horário, ele sente que o dia encontra um ponto de equilíbrio, um instante em que ainda é cedo para desistir e já é tarde para não tentar.
Enquanto mexe o café, sente o vapor subir como se carregasse pensamentos que não ousam virar palavras. Ali, tudo parece mais organizado: preocupações ficam menores, planos ficam mais acessíveis e até o silêncio tem sabor.
Ele costuma pensar que a vida inteira é parecida com aquela xícara: às vezes adoça, às vezes amarga, e em outras tantas só esquenta o peito o suficiente para mantê-lo firme na caminhada. E cada gole é um convite para recomeçar — não importa se o dia começou meio torto.
No fundo, o segredo do café das dez é simples: - Jorge Luiz aprendeu a enxergar beleza em qualquer momento que o ensina a respirar de novo.