SILÊNCIO CONTA HISTÓRIA
Clarisse sempre teve o hábito de parar diante da janela, como se ali houvesse um livro aberto que ninguém mais percebe. Ela observa o vento movendo as folhas, os passantes distraídos, o céu trocando de humor — e tudo isso lhe parece uma conversa silenciosa entre o mundo e a alma.
Com o tempo, ela descobriu que aquela janela não serve apenas para olhar para fora. Ela devolve reflexos e devolve pensamentos. Traz a sensação de que, mesmo quieto, ele também faz parte do movimento das coisas.
Algumas manhãs chegam respostas inesperadas: um pássaro pousa no fio, um raio de sol atravessa o vidro, a chuva se deita mansa no parapeito. Todas essas pequenas cenas lhe ensinam a mesma lição — a vida não se explica, ela se mostra.
E é nesse revelar de um cotidiano aleatório que ela encontra seu descanso. A janela não dorme e, por isso, o mundo continua acordando dentro dela.