A CASA ONDE O SILÊNCIO RESPIRA
Trilogia I
Havia uma casa esquecida no fim de um caminho de pedras, e nela o silêncio parecia viver como um morador antigo. As paredes conservavam marcas de mãos, risos, tempestades, noites longas e pequenos milagres cotidianos. O chão rangia como quem tenta contar histórias engavetadas.
Quando alguém atravessava a porta, sentia de imediato o peso doce das lembranças — aquele tipo de memória que não machuca, apenas pulsa. Cada janela guardava a impressão de um olhar que se foi; cada cômodo respirava a saudade de quem um dia ali encontrou abrigo.
E, no entanto, havia ternura na quietude desse lugar. Era como se a casa, mesmo vazia, continuasse oferecendo o que tinha de melhor: a sensação de que há espaços no mundo que nos reconhecem antes mesmo de chegarmos.