A JANELA QUE RECORDA SONHOS
Trilogia III
No alto de uma casa antiga, uma janela observava as tardes com um carinho quase humano. O vidro, levemente embaçado, era como um espelho onde o passado insistia em reaparecer. Às vezes, ao entardecer, uma corrente de vento fazia vibrar a madeira, e o som se confundia com um suspiro.
A janela carregava a memória de todos os sonhos que se debruçaram sobre ela: as mãos que se apoiaram no parapeito pedindo esperança, os olhos que buscaram horizontes, as lágrimas discretas que secaram com a brisa da madrugada.
Ali, o tempo não envelhecia — apenas se acomodava. E cada vez que se abria, parecia convidar o mundo a entrar devagar, como quem diz: “há histórias que ainda querem ser contadas”. Assim, a janela seguia firme, guardando aquilo que os anos não conseguiram apagar.