ENGRENAGEM URBANA
O asfalto pulsa em veias de neon,
A cidade é um bicho que não dorme.
O caos compõe um grave e surdo tom,
Num movimento brusco e multiforme.
Passos apressados riscam a calçada,
Olhares que se cruzam sem se ver.
Cada janela é uma história guardada,
Buscando um jeito novo de vencer.
O ferro e o vidro escondem o horizonte,
Onde o concreto insiste em sufocar
A flor que nasce fenda acima, adiante.
Mas há poesia sob a velha ponte,
E o céu, mesmo cinzento, faz sonhar
Quem olha para o alto um só instante!...