A ESCRIVANINHA
Na escrivaninha mora um pensamento,
que nunca aprendeu a andar direito.
Tropeça nas rimas, expõe sentimento
o que era só um medo, tudo foi desfeito.
Escrevo lento para não quebrar,
a fina linha entre a dor e a beleza.
Pensar também é jeito de ficar,
em paz provisória com a certeza.
Se a palavra falha, tento logo silenciar,
mas ela me responde de modo audaz,
e nada é tão frágil quanto aparenta.
A alma é aberta ao próprio pensar,
faz alarde e mostra o quanto é capaz,
traz do verso o chão que se sustenta!...