A ESCRIVANINHA EM ESPERA
A escrivaninha está quieta.
Não abandonada, apenas quieta.
Ela sabe que há um tempo próprio
para as coisas voltarem a acontecer.
Os versos repousam como quem entende
que escrever também é respirar fundo.
Enquanto o corpo se recupera,
as palavras fazem vigília.
Não cobram, não chamam, não exigem.
Apenas permanecem ali,
lembrando que o mundo espera
o que ainda se tem a dizer.
E quando o momento chegar,
- sem alarde:
a escrivaninha vai reconhecer o toque,
porque tudo que é cuidado, retorna!