O BILHETE NO LIVRO USADO
Marina tinha o hábito de comprar livros em sebos, sempre procurando por dedicatórias antigas. Um dia, ao abrir um exemplar amarelado de poesia, encontrou um papel dobrado que dizia: "Se você está lendo isso em um dia triste, saiba que o café na esquina da Rua Sete é por minha conta. Basta mostrar este papel". Não havia data, apenas o nome: "Léo".
Curiosa e sentindo-se um pouco melancólica naquela tarde, ela foi até a tal cafeteria. O dono, um senhor de cabelos brancos, olhou o papel e sorriu: — O Léo deixou isso há vinte anos. Ele disse que o café só deveria ser entregue para quem tivesse o 'olhar de busca'.
Enquanto bebia o café, um homem entrou na loja e sentou-se ao lado dela, carregando o mesmo livro de poesias: — Você também encontrou o bilhete? — ele perguntou.
Marina percebeu que alguns mistérios não são feitos para serem resolvidos, mas para serem compartilhados.