A NOIVA DE INVERNO
Ela caminha em seda e abandono,
Pelo jardim onde a rosa fenece,
Desperta de um longo e gélido sono,
Enquanto a lua no céu empalece.
O véu de renda é teia de aranha,
Manchado pelo tempo e pela dor,
Uma beleza terrível e estranha,
Que sobrevive à falta de amor.
O frio não queima sua pele pálida,
Pois o gelo habita em seu coração,
A alma é uma chama pequena e fraca,
Perdida no mar da desolação.
Promessas foram feitas sob o carvalho,
Palavras que o inverno congelou,
Hoje ela colhe o amargo orvalho,
Da esperança que a morte roubou.
Seus pés não deixam marcas na terra,
Flutua como um suspiro no ar,
Vive a constante e muda guerra,
De quem não pode mais se libertar.
Espera o noivo que nunca virá,
No altar de pedra manchado de cinza,
Pois o que o destino um dia quebrará,
Nem a própria eternidade batiza.

Autoria: Lucas Louis.