O ENCONTRO NO BANCO DA PRAÇA
Eles se sentavam no mesmo banco todos os dias, às quatro da tarde, mas nunca haviam trocado uma palavra. Ele lia o jornal; ela tricotava um cachecol que parecia não ter fim. Um muro de silêncio os separava, até que um pombo atrevido roubou um pedaço do biscoito dela.
Ela soltou um grito de surpresa e ele, por instinto, usou o jornal para espantar a ave.
— Obrigado, cavalheiro — disse ela, ajeitando os óculos.
— Por nada, madame. O mundo hoje em dia está muito apressado, até para os pombos.
A conversa que começou com um biscoito durou três horas. Naquele dia, o cachecol não cresceu e o jornal não foi lido, mas duas solidões foram deixadas de lado. Às vezes, a vida só precisa de um pequeno susto para nos lembrar que não estamos sozinhos no banco da praça.
Autoria: Lucas Louis.