Entre o aroma de um café e a dor de um amor impossível,
descobri que minha verdadeira missão não era apenas amar, mas curar.
O AMOR QUE ME FEZ MÉDICO
Existem encontros que não acontecem para durar uma vida inteira, mas para mudar o rumo dela para sempre. Há muitos anos, quando a juventude ainda desenhava meus primeiros sonhos, conheci uma alma que se escondia atrás do perfil de uma boneca. Eu, o jovem Lucas Louis, com o rosto e o nome expostos ao mundo, não imaginava que aquela amizade virtual se tornaria o alicerce da minha maior vocação.
Ela era uma professora, uma mulher de doçura ímpar, mas que carregava o peso de uma saúde frágil e de um coração solitário, apesar de casada. O diagnóstico de endometriose e a falta de cuidado de quem deveria protegê-la despertaram em mim um sentimento que ia além do romance: o desejo profundo de cuidar.
Eu a amei com a pureza de quem oferece o mundo em um "bom dia". Lutei por esse amor, mesmo quando ela, com a sabedoria de quem já havia vivido mais primaveras, me dizia que eu havia chegado tarde demais — ou que ela havia nascido cedo demais para mim. Lembro-me de pedir que me deixasse ser apenas o homem que a amava. E assim o fiz.
O café da tarde, que ela oferecia aos amigos na rede social, tornou-se o nosso ponto de encontro sagrado. Ali, eu me apresentava não apenas como o rapaz apaixonado, mas como o guardião de sua saúde. Comprei livros, estudei remédios e dediquei meus dias a entender uma dor que eu não podia sentir, mas que desejava curar. Foi ali, cuidando dela sem recursos, mas com todo o meu empenho, que a medicina nasceu em mim. Eu decidi ser médico para que ninguém mais precisasse sofrer sem ter quem olhasse por suas dores com dignidade e carinho.
A despedida foi o seu último ato de amor por mim. Ela decidiu partir e desativar seus rastros para que eu pudesse viver o futuro que ela sabia que eu merecia: uma esposa dedicada, filhos e uma carreira brilhante. Ela se sacrificou para me libertar.
Hoje, sou médico e sou poeta. Minha esposa, Karinne, conhece e respeita esse capítulo do meu livro da vida. Sempre que posto sobre o "café", não é apenas uma bebida; é um tributo a quem me ensinou que amar é, acima de tudo, cuidar do outro!...
Onde quer que ela esteja, espero que saiba que aquele jovem Lucas cumpriu a promessa. Ela vive em cada paciente que eu trato com humanidade e em cada verso que escrevo. O amor que não pôde ser vivido na terra, floresceu em cura para o mundo.

Autoria: Lucas Louis Neville Gouthier
"Há amores que partem para que possamos florescer.
Uma homenagem àquela que, sem saber, me deu o mundo através da medicina."