O RELOJOEIRO DE ETERNIDADES
Numa oficina escondida entre as dobras de um sonho, um velho mestre cuidava de relógios que não contavam minutos, mas a intensidade dos momentos que se recusam a passar. Ele usava pinças de memória para ajustar as engrenagens daquelas horas douradas em que um beijo parece durar um século ou uma despedida se torna um inverno sem fim. Claudio admirava como ele polia os ponteiros da nostalgia, garantindo que o tique-taque do coração estivesse sempre em sintonia com a pulsação do universo. Consertar o tempo, para aquele relojoeiro, era devolver às pessoas a consciência de que o relógio de pulso é uma ilusão, pois a vida real só acontece quando esquecemos de olhar para ele.
Ele compreendia que o tempo cronológico é um tirano que tenta enquadrar a vastidão do sentir em números frios e iguais. Em sua mesa de trabalho, as horas tinham pesos diferentes: a hora da saudade pesava como chumbo, enquanto a hora do riso era leve como o hálito de uma criança. Suas lupas revelavam os mecanismos secretos do "agora", aquele instante fugaz que, se não for bem cuidado, escapa pelas frestas da rotina sem deixar rastro. Ele ensinava que a eternidade não é o tempo que nunca acaba, mas o tempo que deixa de ser contado para ser meramente vivido.
Cada mola ajustada em sua bancada era um lembrete de que somos nós que damos corda na nossa existência. Quando o relógio interno de alguém parava por cansaço ou tristeza, ele gentilmente limpava a poeira do desânimo e devolvia o ritmo da esperança. No fim de cada jornada, ele guardava suas ferramentas com a satisfação de quem sabe que a verdadeira eternidade mora naquilo que, mesmo sendo breve, foi capaz de tocar o infinito com a ponta dos dedos!...

Autoria: Lucas Louis.