"Onde a técnica do Martelo Agalopado encontra a entrega do sentimento.
Deixo aqui, em carne e verso, 'O Verso da Pele'."
O VERSO DA PELE
No balanço da rede o corpo pende,
Vejo o brilho da pele, o mel, o traço,
Quero o laço suave do teu braço,
Nesse fogo que a alma logo acende.
O teu vulto o meu verso compreende,
Na penumbra que invade o meu olhar,
Sinto o cheiro das águas deste mar,
Que deságua no cais da tua boca,
Uma sede contida, rindo louca,
No desejo que o tempo faz brotar.
Tua mão, como seda, me percorre,
Desenhando as curvas do meu chão,
Sinto o pulso da nossa pulsação,
Onde a calma no sangue logo morre.
O delírio no peito em paz socorre,
Toda a febre que o tato faz sentir,
Não há medo que possa nos ferir,
Pois o toque é mistério e santidade,
Tua posse é a minha liberdade,
No convite que ajuda a persuadir.
Tua voz é um sopro de veludo,
Me dizendo segredos ao ouvido,
Onde o senso se perde, já perdido,
Nesse jogo que deixa o peito mudo.
Em teu corpo encontro o meu escudo,
E o caminho de seda a desbravar,
Vou na trilha que o mel quer me mostrar,
Entre o riso e a entrega que fascina,
Essa força que o mundo determina,
No prazer de saber te respeitar.
O perfume que emana da tua essência,
É o incenso que invade o meu altar,
Faz o tempo na hora descansar,
Pela graça da tua onipresença.
Não existe no mundo resistência,
Que suporte o calor do teu abrigo,
Quero ser o teu porto e teu perigo,
Onde a pele se torna um manuscrito,
Neste amor que se faz tão infinito,
Sendo um só se eu estiver contigo.
Vem a noite trazendo o seu segredo,
Sob a luz do luar que nos espreita,
Tua forma na minha se deita,
Sem a pressa, a angústia ou o medo.
Te decifro com calma e com o dedo,
Cada ponto de luz do teu prazer,
É o destino que faz o amanhecer,
Ter o gosto de fruta e de pecado,
Sendo o corpo por ti bem habitado,
Na doçura que faz a gente crer.
Encerramos o ato na poesia,
Onde a rima se perde no lençol,
Esperando o contato desse sol,
Para dar fim à nossa euforia.
Nesse mundo de tanta fantasia,
Tua carne é o verso mais perfeito,
Que eu guardo com zelo no meu peito,
Como um hino de paz e de nobreza,
Pois amar tua rara natureza,
É o modo de vida que eu aceito.

Autoria: Lucas Louis.
França/Paris 26/05/26