A MOÇA DO GUARDA-CHUVA AMARELO
Chovia canivetes na Praça da Sé. No meio do cinza do asfalto e das capas plásticas transparentes, surgiu um ponto amarelo vibrante. Era uma moça, segurando um guarda-chuva que parecia um girassol em meio ao deserto.
Arthur, abrigado na marquise de uma livraria, observava a cena. Ele detestava chuva, achava que o mundo ficava mais triste. Mas aquele amarelo o hipnotizou. Sem pensar, ele saiu do abrigo e caminhou até ela, sentindo a água ensopar seu terno caro.
— Com licença — disse ele, a voz falhando — onde se compra um sol desses em dia de tempestade?
A moça parou, inclinou o guarda-chuva e revelou um sorriso que iluminou o quarteirão.
— Não se compra, moço. A gente vira o próprio sol quando decide não se esconder do temporal. Quer um pouco de sombra... quer dizer, de luz?
Arthur entrou debaixo do amarelo. Naquele dia, ele aprendeu que a felicidade é uma escolha de cor em dias cinzentos.

Autoria: Lucas Louis.