A LAVADEIRA DE MÁGOAS
Na beira de um rio que corria apenas dentro do peito, vivia uma mulher que não lavava roupas, mas as nódoas deixadas pelo desapontamento e pelo pranto contido. Ela mergulhava as dores alheias na correnteza da aceitação, esfregando com sabão feito de perdão as manchas que o tempo insistia em escurecer. Cláudio via como ela estendia os corações encharcados no varal do horizonte, prendendo-os com pregadores de esperança para que o sol da resiliência pudesse secar cada fibra de amargura. Lavar, para aquela artesã da alma, era um ritual de purificação, garantindo que ninguém carregasse o peso do ontem como se fosse uma veste suja e pesada, incapaz de permitir o movimento da vida.
Ela entendia que as mágoas, quando não lavadas, endurecem como crostas sobre a sensibilidade, impedindo que o toque do afeto chegue até a pele da alma. Suas mãos, enrugadas pelo contato constante com as águas da empatia, moviam-se com uma doçura que parecia desmanchar os nós mais apertados do ressentimento. Cada peça de sentimento que ela devolvia ao dono vinha com um cheiro de limpeza nova, um frescor de quem acabou de ganhar uma segunda chance para recomeçar o caminho sem o fardo das ofensas acumuladas.
Cada gota que escorria daquele varal invisível levava consigo um pouco da dor do mundo, alimentando o rio que, mais à frente, se tornaria o mar da compreensão. Era sob o céu aberto de suas reflexões que as roupas da alma recuperavam a cor original, prontas para serem usadas em um novo encontro, em um novo abraço. Ela era a prova viva de que nenhuma mancha é eterna quando se tem a coragem de mergulhar a vida na água corrente da transformação e deixar que o vento do amanhã faça o resto!...

Autoria: Lucas Louis.