O EPITÁFIO DO TEMPO
Sob o peso do céu de chumbo e frio,
Erguem-se as torres de um castelo morto,
Onde o silêncio corre como um rio
Que nunca encontra a paz de nenhum porto.
As gárgulas observam o vazio,
Com olhos de granito e de rancor,
Sentindo o sopro de um vento sombrio
Que apaga o resto de qualquer calor.
O relógio de pedra não mais gira,
Perdeu os ponteiros na escuridão,
Pois nesta terra onde a alma delira,
O tempo é apenas uma ilusão.
Nas paredes, o musgo escreve versos
De uma glória que o pó já consumiu,
São sonhos antigos, hoje dispersos,
Que o mundo, em seu descaso, esqueceu e viu.
Ninguém caminha por estes portões,
Salvo a névoa que abraça o chão deserto,
Sufocando as antigas orações
De quem viveu com o abismo tão perto.
Resta apenas a sombra e o lamento,
De um reino que a noite reivindicou,
Pois tudo o que nasce encontra o tormento,
E o que era eterno, o vento levou.

Autoria: Lucas Louis.