A GUARDIÃ DAS PALAVRAS PERDIDAS
Havia uma mulher que morava numa biblioteca sem paredes, onde guardava não os livros impressos, mas as palavras que foram ditas ao vento e nunca encontraram um ouvido para morar. Ela colecionava os "eu te amo" que ficaram presos na garganta, os pedidos de desculpas que o orgulho calou e os agradecimentos que a pressa esqueceu de pronunciar. Lucas admirava como ela cuidava dessas expressões órfãs, polindo o brilho de cada sílaba até que elas estivessem prontas para serem sopradas de volta ao mundo no momento exato em que alguém precisasse ouvi-las.
Ela entendia que uma palavra não dita é um peso que a alma carrega, e que resgatar esses silêncios é uma forma de restaurar o equilíbrio do universo. Suas mãos moviam-se entre as prateleiras do invisível, organizando os sentimentos que a linguagem comum não conseguiu traduzir. Ela era a tradutora do mudo, a intérprete do que ficou nas entrelinhas, garantindo que nenhum afeto sincero se perdesse no vácuo da indiferença humana.
Cada palavra que ela libertava era como um pássaro que voltava para o seu ninho. Ela as entregava aos corações certos em momentos de epifania, transformando um encontro casual em um destino revelado. Sua existência era a prova de que nada do que é sentido com verdade se perde; tudo fica guardado no coração daquela guardiã paciente, esperando o dia em que o silêncio finalmente se tornará o mais belo dos poemas!...

Autoria: Lucas Louis.