"No silêncio das sombras,
o que resta é a essência do que a alma nunca esqueceu."
Surge do nada, em sombra, a forma fria,
Que o tempo traz, no vácuo do abandono.
É como o resto, em palmo, de um outono,
Que no silêncio, mudo, se amplia.
Vagueia a luz na pálida agonia,
De quem perdeu a paz e o doce sono.
Não resta cetro, ou brilho, ou mesmo trono,
Na solidão que o medo principia.
O vulto passa, em gaze, leve e lento,
Pelas paredes, onde o nada habita,
Num rito vago, exposto ao sofrimento.
E nessa ausência, em dor que não se evita,
O que era vida é apenas o lamento,
De uma saudade, em treva, que gravita

Autoria: Lucas Louis.