A CATEDRAL DOS ESQUECIDOS
Os vitrais não filtram mais a luz do dia,
Estão quebrados como a minha fé,
Resta o eco de uma antiga agonia,
Que ainda se mantém, sombria, de pé.
Os anjos de mármore perderam as asas,
E choram fuligem em vez de perdão,
Onde outrora arderam sagradas brasas,
Hoje só resta a frieza do chão.
O órgão suspira um som de lamento,
Sem que ninguém toque as suas teclas,
É a música feita do puro tormento,
Que ecoa nas naves, por eras e eras.
Subo os degraus da torre mais alta,
Para tocar o rosto da escuridão,
Sentindo o ar que no peito me falta,
E o peso de ter o nada na mão.
Não há santos nestes nichos vazios,
Apenas o vulto de quem se perdeu,
Navegando em sonhos de longos navios,
Que nunca alcançaram o reino do céu.
A catedral é o meu corpo cansado,
Um templo erguido para a solidão,
Onde o futuro é o reflexo do passado,
E o silêncio é a única oração.

Autoria: Lucas Louis.