A TECELÃ DE LUAS
Numa varanda voltada para o infinito, vivia uma mulher que não trabalhava com lã ou algodão, mas com os fios de prata que as fases da lua deixam cair sobre os campos durante a madrugada. Ela colhia o brilho minguante das melancolias e o esplendor cheio das paixões, trançando-os com uma agulha de prata que nunca descansava. Claudio via como ela criava lençóis de serenidade para cobrir os sonhos de quem não conseguia dormir, transformando a insônia em uma viagem calma por oceanos de luz leitosa. Tecer o luar era o seu modo de iluminar o caminho daqueles que se perderam na escuridão da alma, oferecendo-lhes uma manta de esperança tecida com a paciência das estrelas.
Ela entendia que cada fase da lua corresponde a um estado do coração humano: às vezes oculto e em gestação, outras vezes transbordante de luz. Seus dedos ágeis capturavam a essência da mudança, ensinando que a escuridão da lua nova é apenas o prelúdio para o brilho que virá. Suas mãos, banhadas pelo frio da noite, não tremiam, pois ela sabia que o mundo precisa de guardiãs da noite, seres que não temem o escuro, mas que sabem extrair dele a beleza que o dia, em sua pressa solar, jamais consegue perceber.
Cada peça que saía de seu tear era um amuleto contra o desespero. Ela soprava o brilho lunar sobre as cidades adormecidas, garantindo que o mistério da noite fosse um abraço e não um abismo. Ela era a prova de que a luz não vem apenas do sol; ela também pode ser tecida no silêncio das horas mortas, por mãos que acreditam que a beleza é a única proteção real contra o vazio que às vezes tenta nos cercar!...

Autoria: Lucas Louis Neville Gouthier