O CANTO DO POETA
Do chão da terra brota o verso ousado
Que o velho mestre com vigor traz
A mente firme busca achar a paz
No chão sagrado que foi cultivado
O pensamento segue intocável
Barreira forte contra a tempestade
Que tenta apagar a sã verdade
Deixando o canto quase imperceptível
Mas a viola que no peito vibra
Dá mais coragem a quem tem fibra.
Quem canta o martelo traz a sorte
No peito acende a chama que reluziu
Nenhum perigo neste mundo viu
Capaz de dobrar um homem forte
A rima rica nasce do talento
Que o criador do mundo abençoou
O mestre antigo que já se foi, deixou
A lição clara para o crescimento
Sigo a trilha que o destino aponta
Pois sei que a mente tudo conta.
A caneta escreve o que a alma sente
Na folha branca o mestre faz a lei
Da poesia eu me tornei o rei
Guardando o ouro na mente crente
O som das cordas traz a profecia
Que o cantador na noite revelou
O povo inteiro que aqui chegou
Aplaude o brilho da sabedoria
A voz não falha quando o peito rega
A tradição que nunca cega.
A tempestade tenta o meu açoite
Mas minha estrutura resistiu bem
Não temo a força que o mal tem
Nem o escuro da calada noite
O ferro molda o meu escudo quente
Que o inimigo tenta perfurar
Mas a palavra vai triunfar
Na mente pura de quem é valente
Nenhuma queda vai me destruir
Pois sei a hora de sorrir.
O chão do sertão guarda o segredo
Da raça pura que não sabe correr
O cantador nasceu para vencer
E no seu peito não abriga medo
A poeira sobe quando o pé estala
No ritmo firme que o martelo traz
O povo aplaude pedindo mais
O som bonito que ecoa na sala
A arte viva que o tempo estima
Cresce na força da minha rima.
Olho para o céu e vejo a estrela
Que ilumina o meu caminhar
Nenhum abismo vai me segurar
Pois a vitória é sempre bela
A mente voa livre como o vento
Buscando a rima que ninguém pensou
O dom divino que me guiou
É o sustento do meu pensamento
Subo o degrau da glória infinita
Onde a beleza santa habita.
O tempo passa mas a voz resiste
Ao peso duro de qualquer idade
Cantando sempre com total verdade
O canto forte que o sertão assiste
A herança santa que meu pai deixou
É o tesouro que vou carregar
Ninguém consegue meu som calar
Pois a viola Deus abençoou
O som do pinho que no peito soa
Deixa a plateia rindo à toa.
Enfrento o raio com o corpo frio
Pois a blindagem é feita de razão
Ninguém derruba esta construção
Que o próprio mestre no papel abriu
O verso é arma contra a injustiça
Que tanta gente tenta propagar
Mas o cordel veio para ficar
E a mentira nunca nos cobiça
A luz da mente vence a escuridão
Trazendo a paz ao coração.
A noite cai e a lua clareia
O palco santo onde vou cantar
A multidão começa a se juntar
O desafio aceito com orgulho
Pois o meu peito sabe duelar
Nenhum rival vai me superar
No meio desse imenso barulho
A voz divina manda o meu recado
No meu martelo bem traçado.
Termino o canto com a alma leve
Ciente e certo de fazer o bem
Nesta disputa não sobrou ninguém
Que contra mim um só verso escreve
A blindagem técnica se fez completa
Nesta estrutura que o povo amou
O desafio aqui terminou
Pela caneta do mestre poeta
Guardo a viola e encerro a jornada
Com a vitória alcançada

Autoria: Lucas Louis Neville Gouthier
França/Paris: 12.06.26