A DANÇA DOS MORTOS
Sob o luar que sangra no horizonte,
As lápides abrem seus olhos de cal,
Bebe a água da mais pura fonte,
Que brota no centro do meu ritual.
Mãos de esqueleto dão-se o aperto,
Numa ciranda de estranho prazer,
Neste deserto que é sempre aberto,
Para quem não teme mais o morrer.
O riso é o som de ossos quebrados,
A música vem do fundo da terra,
Onde os desejos que foram negados,
Encontram o fim de sua longa guerra.
Não há beleza na face rosada,
Mas sim na caveira que sabe sorrir,
Pois a carne é uma roupa emprestada,
Que a alma precisa um dia despir.
Dançamos até que o sol nos descubra,
E nos devolva ao repouso do lar,
Nesta existência cinzenta e insalubre,
A morte é o único jeito de amar.
Guarda este verso como um amuleto,
Escrito com tinta de melancolia,
Pois no universo que é mudo e preto,
A noite é a nossa única guia.

Autoria: Lucas Louis.