A GEOMETRIA DO DESTINO
Muitas vezes acreditamos que a vida é uma linha reta, um progresso constante do ponto A ao ponto B. Contudo, a observação atenta nos mostra que o destino se assemelha mais a uma espiral. Voltamos sempre aos mesmos temas, às mesmas dores e aos mesmos amores, mas nunca no mesmo nível de consciência. Cada volta nos eleva um pouco mais, permitindo uma visão panorâmica sobre o que antes era apenas um obstáculo intransponível.
As coincidências que chamamos de sorte são, na verdade, o encontro da preparação com a oportunidade, uma geometria perfeita que o universo desenha para quem mantém os olhos abertos. Nada é por acaso na escrivaninha de um pensador; cada encontro, cada livro aberto ao acaso e cada tarde de chuva possui uma coordenada exata no mapa da nossa evolução. Somos arquitetos de um edifício que só conheceremos por inteiro quando o telhado estiver pronto.
Aceitar essa geometria significa aceitar o mistério. Não temos o controle total das rédeas, mas temos o poder da interpretação. O que para uns é um beco sem saída, para o olhar treinado é um recuo estratégico. A vida não nos pede para sermos perfeitos, mas para sermos coerentes com a luz que carregamos. No final, a soma de todos os ângulos da nossa trajetória deve resultar na forma mais sagrada de todas: a da gratidão por ter existido!...

Autoria: Lucas Louis.