Dr. Lucas Louis Neville Gouthier
Só quem ama tem disposição de ir além da superfície.
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O BATISMO DO ROSTO

 

No balanço do verso ajuizado,
Vejo a vida correr feito oceano,
Onde o homem se perde no engano,
Mas a gota encontra o cais sagrado.
O espírito aceita o dom dourado,
Pois a alma cansada renasceu,
E o fantasma do tempo já morreu,
Quando a água do céu nela caiu.
Toda a dor desse peito então sumiu,
Pelo dom que o destino concebeu.

 

Quando a lágrima cai na dura estrada,
Não precisa julgar a sutil dor,
Ela é o rio da paz e do amor,
Que batiza a face desolada.
Leva o sal da lembrança amargurada,
Traz o mel que alivia o padecer,
Faz o dia mais lindo amanhecer,
Clareando os mistérios que ele tem.
Pela força da rima que nos mantém,
Tudo muda se a mente compreender.

 

Há o choro que nasce da saudade,
Desse tempo que o vento carregou,
O abraço que o peito memorou,
E a lembrança que vive na verdade.
Mas depois da tormenta e ansiedade,
Onde a dor arrastou o sentimento,
Vem a paz acalmar o pensamento,
E o sossego retorna para o lar.
Quem aprende na terra a prantear,
Vê a cura chegar no movimento. 

 

Tem o pranto que nasce da alegria,
Cujo brilho é bonito de notar,
É a vida que vem nos elevar,
Sem que o corpo perceba a energia.
É a mais alta e perfeita poesia,
O milagre supremo do viver,
A beleza que o olho vai reter,
Que conforta o aflito na jornada.
Como a luz de uma estrela na estrada,
Faz a alma de orgulho se acender.

 

Não confunda esse pranto com fraqueza,
Pois o homem que nunca chorou nada,
Uma lágrima santa e sagrada
Não derrama, ignorando tal beleza.
Quem chorar vai notar com mais clareza
O seu peito lavado e renovado,
Pelo brilho divino abençoado,
Que desfaz a poeira da agonia.
Nessa fonte renasce a energia,
Para o rumo perfeito ser achado.

 

Nesta rima com zelo planejada,
O martelo agalopa no sertão,
Cada verso conduz a nossa mão,
Para a rota ficar bem traçada.
A estrutura que foi desenhada
É o prumo de um bom arquiteto,
Onde o canto caminha no direto,
Feito com a perícia do doutor.
A poetisa que preza o real valor,
Vai notar que este verso está correto.

 

O silêncio profundo que acompanha
O cair desse límpido cristal,
É a força sagrada que o rival
Desestabiliza na campanha.
A virtude no mundo sempre ganha,
Pois a face que o pranto já molhou,
O sentido mais alto demonstrou,
Combatendo com garra todo o mal.
Esse dom do batismo espiritual
Foi a bênção que o Mestre nos deixou.

 

Quem observa de fora este cenário,
Sem o peso da real empolgação,
Não entende que o pranto é oração,
O refúgio da alma, o santuário.
O gemido que escrevo no diário,
Que este corpo padece amargurado,
Pelo tempo difícil superado,
É a busca sincera de um farol.
É a espera que traz o novo sol,
Para o rumo seguir assegurado.

 

O poeta se curva diante da mesa,
E transforma o desgosto e o desalento
Num louvor que supera o sofrimento,
Pra vencer a barreira da tristeza.
A canção ganha força com certeza,
Pois a lágrima brilha na vigília,
Mostra a estrada, clareia toda a trilha,
De quem vive guiado pelo amor.
Onde a rima possui o seu valor,
A palavra sagrada se auxilia.

 

Encerrando o meu canto na rodada,
Com a paz a reinar no coração,
Pois a água que traz a redenção,
Lava a face que estava maltratada.
O caminho clareia na jornada,
Como a chuva que cai no meu caminho,
Dando vida, frescor e muito carinho,
Para a terra plantar o novo grão.
No martelo que traz a perfeição,
Sigo livre buscando o meu ninho.

 

Autoria: Lucas Louis Neville Gouthier

França/Paris:15.06.26

Lucas Louis Neville Gouthier
Enviado por Lucas Louis Neville Gouthier em 15/06/2026
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