A REVOLTA DOS DICIONÁRIOS
Na biblioteca da grande mansão, as palavras começaram a se sentir entediadas. O adjetivo "esplêndido" reclamava que ninguém mais o usava, substituído sempre por um sem graça "legal". O verbo "procrastinar" passava o dia sem fazer nada, enquanto a palavra "silêncio" exigia que todos calassem a boca. Cansados do esquecimento, os livros decidiram fazer uma greve geral.
No dia seguinte, quando o escritor dono da casa sentou-se para trabalhar, as palavras simplesmente sumiram das páginas dos dicionários e saltaram para fora das estantes. Formaram uma barreira no tapete, exigindo mais criatividade, frases bem estruturadas e menos clichês nas próximas histórias. O escritor, assustado, prometeu soltar as rédeas da imaginação. Como garantia, as palavras exigiram ser escaladas imediatamente em um conto de mistério. Satisfeitas, voltaram para o papel, deixando a promessa de que a literatura verdadeira nunca aceita o marasmo.

Autoria: Lucas Louis