Dr. Lucas Louis Neville Gouthier
Só quem ama tem disposição de ir além da superfície.
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      Foto: Fellipe Schimitt Gouthier.

 

A CALIGRAFIA DO TEMPO

FELLIPE, MEU PRIMOGÊNITO

 

Na minha rotina como médico, vivo ouvindo a velha piada de que nossa letra é incompreensível, um enigma desenhado com pressa nos receituários. Dizem que falta precisão artística aos nossos traços. Eu sempre sorrio e aceito o rótulo, mas confesso: há uma caligrafia específica que tenho observado com total devoção nos últimos anos. É a escrita que o tempo desenha no rosto do meu primogênito, Fellipe.

 

Neste mês, as linhas dessa história ganham um capítulo marcante. Ele completa oito anos. É fascinante — e por vezes assustador para um pai coruja — perceber como o tempo esculpe suas nuances. Aquele bebê de traços suaves deu lugar a um garoto esperto, de olhar expressivo e um sorriso cativante que tem o poder de iluminar qualquer ambiente após os meus dias exaustivos no hospital.

 

Diferente da tendência do mundo moderno, tentamos mantê-lo longe do transe hipnótico das telas artificiais. Queremos que ele escreva a sua própria infância com os pés na grama e as mãos na matéria real da vida. É por isso que meu peito se enche de um orgulho gigantesco ao vê-lo gastar energia nos esportes, concentrado no silêncio de uma boa leitura ou com os olhos brilhando diante de uma nova paisagem nas viagens que fazemos in família.

 

Mas o que mais me encanta no Fellipe é o seu coração generoso fora da sua própria bolha. Sendo o irmão mais velho, ele assumiu para si a nobre missão de ser o guardião dos menores. Embora todos em nossa casa tenham o suporte de suas babás — que ele, com sua extrema sensibilidade, faz questão de chamar de "segundas mães" —, o Fellipe mantém um olhar atento e protetor sobre a Annye, de seis anos, o Otto, de cinco, e a pequena Lillie, de apenas dois aninhos.

 

É uma dinâmica linda de assistir. Ele esquece que é o mais arteiro e travesso da casa para se transformar no fiscal oficial do bem-estar dos irmãos. Se ele nota qualquer pequeno incidente ou algo que exija a nossa atenção imediata, ele não hesita: liga para mim ou para a mãe — que também partilha comigo a missão da neurocirurgia — e pede nossa opinião médica e paternal, deixando-nos a par de absolutamente tudo. Essa seriedade misturada à doçura infantil é de uma beleza rara.

 

Aos oito anos, o meu fiel companheiro começa a ensaiar os primeiros passos rumo a uma infância mais madura e independente. Já não é mais um menino pequeno, mas um parceiro de conversas e de cuidados familiares que me desafia a ser um homem melhor a cada amanhecer. Sinto que nasci para essa missão de amar e guiar, e ver o meu primeiro filho crescer com tanta saúde, liderança e generosidade é a maior operação de sucesso que a vida já me permitiu realizar.

 

Meu filho, que a sua caminhada continue sendo desenhada com as tintas da bravura, da coragem e desse amor genuíno que você já transborda pelos seus irmãos. O seu pai sempre estará aqui na primeira fileira, aplaudindo cada linha que você decidir escrever no livro da sua vida.

 

Feliz aniversário, meu eterno campeão!

 

Pai te ama demais, Filho.

Lucas Louis!...

Lucas Louis Neville Gouthier
Enviado por Lucas Louis Neville Gouthier em 14/09/2026
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