A TAPEÇARIA DOS DIAS
Tecer uma colcha com fios de algodão e linho é tarefa exaustiva para os teares e para os dedos, mas entrelaçar os acontecimentos na urdidura sensível da experiência é uma obra de fiação dedicada exclusivamente à alma. Mariana desenhava os padrões dessa vestimenta invisível usando os altos e baixos da rotina como régua e a resiliência mais pura como alicerce inabalável. Cada ponto dessa trama imaterial era decorado não com ornamentos artificiais, mas com a textura áspera das lições difíceis que evoca amadurecimento e com o brilho dos fios dourados que cruzaram o seu caminho e decidiram enfeitar os dias comuns.
Não havia nós sólidos que asfixiassem o desenho, mas fronteiras feitas de flexibilidade, onde o teto era a própria aceitação e as agulhas permaneciam permanentemente em movimento para que o aprendizado da dor pudesse entrar sem precisar pedir desculpas.
Ela compreendia, com a clareza de quem já habitou muitos avessos, que a verdadeira identidade de um homem não possui um rótulo definitivo ou uma definição estática; ela reside inteiramente na capacidade de transformar o retalho em obra de arte e o rasgo passageiro em uma estrutura eterna de superação.
Nessa casa de tecidos, o tempo não era um traça indesejada que trazia o desgaste, mas um alfaiate de honra que ajudava a ajustar as medidas da vida. Ao caminhar pelos corredores de sua própria história, Mariana sentia o calor de um manto que nunca se resfria, pois é alimentado pelo desejo contínuo de fazer do mundo um lugar menos vulnerável e mais habitável através do traço firme de quem sabe que a cicatriz é a única coisa que realmente sustenta a pele!...

Autoria: Lucas Louis Neville Gouthier