-Arquivo Pessoal
O GALOPE DO HOMEM DE PRETO
- Galope à Beira-Mar
No homem de preto deitado na neve,
Parece um anjo que caiu de Montmartre,
Esquece do mundo fazendo da arte,
Num sono profundo que a mente atreve.
O vento gelado no corpo se atreve,
Mas sinto o calor que no peito consome,
A força do gelo que o frio assume,
Distante da praia que o sol incendeia,
Na brancura pura que o mundo rodeia,
Num forte galope à beira-mar.
O óculos escuro reflete o infinito,
Cobrindo os olhos de quem desafia,
A forte nevasca que o tempo trazia,
Num manto sagrado de traço bonito.
Olhando a Cidade Luz eu reflito,
Da terra gelada que o vento domina,
Espero a quentura que o dia destina,
Sonhando com as ondas batendo no cais,
Lembrando os caminhos dos meus ancestrais,
No longo galope à beira-mar.
De braços abertos deitado no chão,
O corpo flutua na neve macia,
Buscando a faísca de uma poesia,
Que traga conforto pro meu coração.
Distante do asfalto, da agitação,
A roupa pesada me protege o peito,
O mundo branquinho parece um leito,
Mas sinto o desejo de ver o rio Sena,
Gritando bem alto essa rima serena,
O lindo galope à beira-mar.
A neve congela mas queima a memória,
Das luzes de Paris que são meu tesouro,
De monumentos com traços de ouro,
Que contam a saga de toda a minha história.
Aqui nesse gelo eu vejo a vitória,
Do homem que viaja buscando o destino,
Mas traz no seu peito o cantar parisino,
Que cruza os países, o frio e o vento,
E traz o compasso do meu pensamento,
No eterno galope à beira-mar.

Autoria: Lucas Louis Neville Gouthier
França/Paris: 01/10/26