"A confiança não nasce da certeza de que o mundo será gentil,
mas da convicção de que você sobreviverá mesmo se ele falhar."
CONFIANÇA
Construir a confiança é uma das tarefas mais delicadas da experiência humana, principalmente porque passamos a vida acreditando que ela depende das circunstâncias externas. Esperamos que as pessoas nunca nos decepcionem, que os planos corram sem desvios e que o chão sob os nossos pés permaneça sempre firme. No entanto, condicionar a nossa segurança ao comportamento alheio ou à estabilidade do mundo é caminhar sobre o gelo fino. A verdadeira confiança não é a ausência de medo ou a garantia de que tudo dará certo; é a certeza íntima de que, aconteça o que acontecer, você terá estrutura para recomeçar.
Quando passamos por traumas, traições ou grandes reviravoltas, é natural que a nossa autoconfiança saia machucada. O mundo exterior fecha as portas e nós, por proteção, fechamos as portas do nosso coração. Passamos a olhar para o futuro com desconfiança e para as pessoas com reservas, acreditando que o isolamento é a única forma de evitar novas dores. Mas proteger-se em excesso também nos impede de viver as belezas da jornada. O segredo para curar essa fragilidade não está em controlar as atitudes dos outros, mas em fortalecer a sua capacidade de lidar com as consequências e acolher a si mesmo nas quedas.
Olhe para trás e repare em quantas vezes você achou que uma situação seria o seu fim, e ainda assim você encontrou uma saída. A confiança se alimenta da memória das suas superações, não dos seus momentos de perfeição. Você é o resultado de todas as vezes em que juntou os próprios pedaços em silêncio e continuou. Não permita que as decepções do passado ditem as regras do seu presente ou limitem a imensidão do seu futuro. Você aprendeu com os erros, ganhou maturidade com os tombos e hoje carrega uma sabedoria que dinheiro nenhum no mundo é capaz de comprar.
Depositar fé em si mesmo é um exercício diário de gentileza e paciência. Significa aceitar que haverá dias de dúvida, mas escolher não fazer morada neles. O amanhã continua sendo um território misterioso, mas você já provou que possui as ferramentas necessárias para desbravá-lo. Resgate a sua autonomia, assuma as rédeas das suas decisões e caminhe de cabeça erguida. Quando você confia na sua capacidade de resistir, de aprender e de se reinventar, o medo do desconhecido perde a força e cede espaço para a liberdade de ser quem você realmente nasceu para ser!...

Dr. Lucas Louis Neville Gouthier