Dr. Lucas Louis Neville Gouthier
Só quem ama tem disposição de ir além da superfície.
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A ELEGÂNCIA INVISÍVEL AO BOLSO

POR LUCAS LOUIS

 

O mundo parece caminhar a passos largos para um inverno afetivo. Nos dias de hoje, a pressa engole o bom dia, a indiferença substitui o olhar atento e há quem sinta um prazer quase inexplicável em desabar o dia alheio com palavras pesadas e ásperas. Diante dessa frieza que insiste em se normalizar, eu escolho o caminho inverso. Escolho a leveza, o sorriso e a elegância.

 

Muitos da minha geração dizem, em tom de brincadeira, que sou um "jovem-velho". Talvez tenham razão, se considerarmos que o que chamo de viver é pautado por rituais que a modernidade tenta esquecer. Mas a verdade é que essa minha postura não nasceu de manuais de etiqueta modernos ou de aparências superficiais. Ela nasceu na sala de estar e no banco do carro de duas pessoas que foram o meu chão: minha avó Soely e meu avô Demerval.

 

Lembro-me com precisão dos dias em que meu avô Demerval me chamava no canto para me dar as lições mais valiosas da minha vida. "Puxe a cadeira para a sua avó sentar, meu filho", ele dizia. "Abra a porta do carro para ela, dê a mão para ajudá-la a descer." Ao observar o sorriso e o acolhimento no rosto da minha avó Soely, entendi muito cedo o poder transformador de um gesto gentil. Hoje, eles não estão mais fisicamente ao meu lado, mas a presença deles é viva em cada detalhe do meu comportamento. Sinto um orgulho imenso de carregar esse legado.

 

Há quem olhe para o cavalheirismo ou para a polidez extrema e use o termo "cafona". Eu discordo com a tranquilidade de quem sabe o bem que faz. Ser elegante não exige conta bancária recheada, roupas de grife ou berço de ouro. A verdadeira elegância é democrática, acessível a qualquer um. Ela reside na forma como modulamos a voz para falar com alguém, no respeito inegociável por uma dama, na sensibilidade de escolher palavras que constroem em vez de destruir.

 

Qualquer gesto de cuidado, por menor que pareça, sempre será bem recebido por quem é acolhido por ele. E é por isso que, enquanto eu existir, farei questão de cultivar e espalhar esse ato de carinho. Mais do que isso: levarei essa herança adiante, ensinando aos meus filhos que a maior riqueza que um ser humano pode ostentar é, e sempre será, a nobreza de um coração gentil.

 

     

Lucas Louis Neville Gouthier

Lucas Louis Neville Gouthier
Enviado por Lucas Louis Neville Gouthier em 04/10/2026
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