"Quando o outono da alma encontra a vastidão do silêncio,
a dor se transforma em poesia e o mistério governa o horizonte."
O OUTONO DA ALMA
Na alta torre do antigo e vão castelo,
O vulto observa o vale em sua dor.
O outono tinge a mata com o torpor,
De um ouro triste, fúnebre, porém belo.
O rio corre escuro, num novelo,
Que corta o bosque com sutil temor.
A névoa fria espalha o seu palor,
E a mente busca a paz de um vil degredo.
A noite avança lenta no horizonte,
Trazendo a solidão que o peito invade,
Enquanto a sombra oculta a velha fonte.
O vento sopra a dor da mocidade,
E a alma chora além daquela ponte,
Cercada de mistério e de saudade.

Lucas Louis Neville Gouthier
França/Paris: 05/10/26