O CUBÍCULO SOCIAL CHAMADO ELEVADOR
O elevador é, sem dúvida, o experimento social mais fascinante inventado pela humanidade. Trata-se de um pequeno quadrado de metal onde perfeitos desconhecidos são obrigados a partilhar um silêncio constrangedor enquanto sobem ou descem dezenas de andares. Entrar ali acompanhado é aceitar um pacto invisível de etiqueta urbana: ninguém se olha nos olhos por mais de dois segundos e todos, sem exceção, viram especialistas em analisar o teto, o painel de botões ou o visor digital que indica os andares.
Quando a tecnologia dos celulares ainda não dominava as nossas mãos, o grande salvador da pátria nesse ambiente era o clima. A meteorologia virou a moeda de troca universal para quebrar o gelo. Bastava a porta fechar para alguém disparar: "E o tempo, hein? Disseram que vai chover à tarde". O outro assentia com a cabeça, comentava sobre o calor abafado e, pronto, a cota de sociabilidade do dia estava preenchida. Hoje, trocamos o boletim do tempo pelo gesto mecânico de tirar o smartphone do bolso, mesmo sabendo que ali dentro não há sinal de internet, apenas para fingir que temos algo urgentíssimo para resolver na tela.
O comportamento humano dentro do elevador muda de acordo com o andar. Se a viagem é curta, as pessoas sustentam o silêncio com dignidade. Mas se o trajeto é longo, começam os pequenos tiques nervosos: ajeitar o cabelo no espelho (fingindo que ninguém está olhando), olhar para o relógio a cada três segundos ou soltar aquele suspiro profundo de cansaço. E há sempre o momento clássico em que alguém entra carregando sacolas de supermercado ou caixas pesadas, e todos os outros passageiros se encolhem contra as paredes como se estivessem jogando uma partida humana de Tênis.
Apesar de toda a estranheza e do leve desconforto que esse espaço claustrofóbico provoca, existe uma beleza quase poética no elevador. Ele é o grande equalizador da rotina: ali dentro, o diretor da grande empresa e o funcionário da limpeza dividem o mesmo ar e o mesmo silêncio, ambos torcendo silenciosamente para a porta abrir logo. É um lembrete diário de que, por mais apressados ou distantes que estejamos uns dos outros na vida moderna, no fundo, estamos todos navegando no mesmo barco — ou melhor, subindo e descendo no mesmo cabo de aço.

Autoria: Lucas Louis Neville Gouthier