A JARDINEIRA DE INSTANTES
Capinar um terreno e plantar sementes exóticas é tarefa exaustiva para as enxadas e para as costas, mas cultivar momentos de presença pura no canteiro da atenção é uma obra de botânica dedicada exclusivamente à alma. Tiago desenhava os canteiros desse cultivo invisível usando o milagre do amanhecer como régua e a gratidão mais pura como alicerce inabalável. Cada broto dessa horta imaterial era decorado não com adubos químicos, mas com o frescor do orvalho na grama que evoca o privilégio do agora e com o brilho dos pequenos detalhes que cruzaram o seu caminho e decidiram florescer sem pressa.
Não havia pragas sólidas que destruíssem a colheita, mas fronteiras feitas de cuidado, onde o teto era a própria paciência e as pétalas permaneciam permanentemente abertas para que o sol da simplicidade pudesse entrar sem precisar de licença ambiental.
Ele compreendia, com a clareza de quem já habitou muitos jardins, que a verdadeira colheita de um homem não possui um preço de mercado ou um peso na balança; ela reside inteiramente na capacidade de transformar a rotina em milagre e o segundo passageiro em uma estrutura eterna de epifania.
Nessa casa de flores, o tempo não era uma estiagem indesejada que trazia a secura, mas um jardineiro de honra que ajudava a regar a vida. Ao caminhar pelos corredores de seus próprios instantes colhidos, Tiago sentia o calor de uma primavera que nunca se apaga, pois é alimentada pelo desejo contínuo de fazer do mundo um lugar menos árido e mais habitável através do traço firme de quem sabe que a delicadeza é a única coisa que realmente sustenta a colheita!...

Lucas Louis Neville Gouthier