O PESO DAS EXPECTATIVAS
Caro leitor,
Carregamos o péssimo hábito de projetar nos outros o roteiro daquilo que gostaríamos que eles fossem. Criamos expectativas gigantescas sobre os ombros de quem amamos, esperando que adivinhem nossos silêncios, curem nossas carências e ajam exatamente de acordo com o nosso manual pessoal de conduta. Esquecemos que o outro é um universo independente, com suas próprias dores, limites e labirintos.
Quando a realidade não se encaixa na nossa ilusão, o que sentimos não é a traição do outro, mas sim o tombo da nossa própria soberba. Cobrar perfeição de quem está na mesma arena de aprendizado que nós é uma injustiça silenciosa. O amor e a convivência só se tornam maduros quando aprendemos a olhar as pessoas pelo que elas realmente são, e não pelo que nós necessitamos que elas representem.
O papel do ser humano hoje é aprender a aliviar a bagagem. Liberte as pessoas ao seu redor da obrigação de te fazerem feliz o tempo todo. Quando deixamos de exigir que os outros preencham nossos vazios, passamos a valorizar o que eles nos dão de graça: a sua presença genuína e imperfeita.
Cordialmente.

Lucas Louis Neville Gouthier