A PRESSA QUE NÃO LEVA A LUGAR NENHUM
Se pararmos em uma esquina movimentada de qualquer cidade grande e observarmos o fluxo das pessoas, a sensação é de que estamos assistindo a uma engrenagem acelerada artificialmente. Todo mundo corre. Olhos fixos no horizonte, passos largos que quase atropelam o vento, semblantes sérios de quem carrega o peso do mundo nas costas. Se você perguntar para onde estão indo com tanta urgência, a resposta quase automática será: "Estou atrasado". A grande ironia da vida moderna é que estamos todos correndo desesperadamente, mas raramente sabemos o que estamos tentando alcançar.
Transformamos a nossa rotina em uma gincana interminável contra os ponteiros do relógio. Acordamos correndo, engolimos o café olhando as horas, dirigimos buzinando para o carro da frente e trabalhamos pensando na próxima tarefa. Vivemos sempre no tempo futuro, na expectativa do próximo compromisso, do próximo fim de semana ou das próximas férias. O problema dessa velocidade frenética é que o presente — que é o único momento onde a vida realmente acontece — vira apenas um obstáculo a ser superado.
Nessa maratona invisível, deixamos de notar as pequenas poesias do caminho. Não vemos o ipê amarelo que floriu na calçada por onde passamos todos os dias, não escutamos o bom-dia sincero do porteiro e mal olhamos nos olhos das pessoas que amamos quando chegamos em casa. A pressa nos anestesia. Ela nos convence de que produzir é mais importante do que viver, e que acumular tarefas concluídas é o segredo do sucesso. Mas a verdade nua e crua é que a pressa é uma ilusão que consome a nossa paz.
Talvez o maior ato de rebeldia que possamos praticar hoje seja, simplesmente, desacelerar o passo. Caminhar sentindo o chão sob os pés, respirar fundo no meio do caos e se dar o luxo de perder cinco minutos observando o formato das nuvens ou conversando fiado. Afinal, a vida não é uma corrida de cem metros onde ganha quem chega primeiro. A vida é a própria caminhada, e quem corre demais acaba cruzando a linha de chegada sem ter visto nada do cenário.

Lucas Louis Neville Gouthier