"Divido com os amigos poetas este soneto decassílabo,
onde a poesia clássica dá forma às sombras e luzes da alma humana."
A SOMBRA VÃ
A inveja é sombra que no chão se arrasta,
Olhando o brilho que o vizinho tem;
É chama vil que o próprio peito gasta,
Por não saber da luz que lhe convém.
O mal que habita o invejoso o afasta,
Pois nunca alcança o que pertence a alguém;
A alma seca, torna-se nefasta,
Longe da paz e longe de todo o bem.
Inútil é querer o que é do outro,
Pois cada um tem seu quinhão de luz,
E o próprio chão se torna um solo noutro.
Quem vive envolto em tal escuridão,
Carrega o peso que ao abismo o conduz,
Sem ter o amor dentro do coração!...

Lucas Louis Neville Gouthier
França/Paris: 13/10/26