"Nas profundezas da penumbra,
onde o tempo se perde e a liturgia do silêncio governa o coração"
O VERBO DO SILÊNCIO
Nas sombras desta lúgubre escadaria,
A noite verte o cálice do olvido.
Guardando o som de tudo o que foi lido,
O frio mármore abraça a mudez fria.
Um vulto avança em plena liturgia,
Trazendo o livro antigo recolhido.
No claustro escuro o tempo está perdido,
E a alma em prece encontra a sua guia.
O brando vento sopra nas paredes,
Tecendo as teias densas dos mistérios,
Onde a penumbra estende as suas redes.
Silêncio eterno habita os cemitérios,
Mas nesta pedra escura onde te perdes,
O silêncio governa os seus impérios.

Lucas Louis Neville Gouthier
França/Paris: 17/10/26