O TEMPO E A PALAVRA
Senhoras e senhores, amigos da poesia,
Muitas vezes nos perguntamos o que resta quando o tempo passa com sua marcha inevitável. As estações mudam, os cabelos embranquecem, e o mundo ao nosso redor se transforma a uma velocidade vertiginosa. Mas há um santuário que o tempo não consegue destruir: a palavra escrita.
Reparem como os impérios desmoronam e as maiores construções humanas viram pó, enquanto um simples verso de séculos atrás permanece intacto, com a mesma força do dia em que foi concebido. A palavra tem esse mistério: ela viaja pelas eras sem envelhecer, carregando o sopro de vida de quem a moldou. Quando escrevemos, desafiamos a finitude e estabelecemos um diálogo secreto com o futuro, garantindo que os nossos sentimentos mais puros não se percam na poeira dos anos.
Escrever não é apenas registrar o presente; é uma tentativa ousada de eternizar o efêmero. Quando moldamos um verso, estamos capturando um segundo de sentimento e transformando-o em um monumento eterno. Que possamos, hoje e sempre, honrar a memória através da arte, pois enquanto houver uma linha lida, o passado continuará vivo e pulsante em nós.


Lucas Louis Neville Gouthier