A saudade é um espinho
Que nos fere com doçura
É o resto de um carinho
Que na mente ainda dura
Uma estrada de lembrança
Pelas mãos da criatura.
É um nó que não desata
No balanço da redeira
É a lua cor de prata
Refletindo na porteira
O retrato na parede
Pegando muita poeira.
Saudade de um tempo antigo
Do café feito na hora
De sentar com um amigo
No balanço do "lá fora"
Ver o sol se escondendo
Onde o horizonte mora.
É o cheiro da terra úmida
Quando a chuva vem caindo
A risada da infância
Que a gente escuta indo
A lembrança de um abraço
Que o tempo foi consumindo.
Quem sente saudade guarda
Um tesouro no seu peito
Pois só sente quem amou
Com coragem e respeito
Se o passado foi bonito
A saudade é o seu efeito.
Às vezes ela maltrata
Feito o sol no sertão
Dá um aperto no peito
Dói no fundo do coração
Mas traz de volta o sorriso
Em forma de gratidão.
Saudade de um pai, uma mãe
Que partiram pra o além
Deixando a mesa vazia
E a falta que eles têm
Mas vivem na nossa reza
E no amor que a gente detém.
O tempo passa ligeiro
Como o vento na campina
A saudade é o passageiro
Nessa estrada repentina
Que visita o pensamento
E o sentimento ilumina.
Não fique triste ao senti-la
Não se deixe amargurar
Ela é a prova viva
De quem soube se entregar
Pois o coração vazio
Não tem nada pra lembrar.
Encerro aqui meus versos
Deste tema tão profundo
A saudade é o laço eterno
Que nos une em um segundo
A quem amamos de perto
Ou em outro canto do mundo.

Lucas Louis Neville Gouthier
França/Paris: 20/10/26