Dr. Lucas Louis Neville Gouthier
Só quem ama tem disposição de ir além da superfície.
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INVERNO, A ESTAÇÃO DO ACONCHEGO

 

O inverno chegava de mansinho, infiltrando-se pelas frestas das portas e convidando ao recolhimento absoluto. Para Marcinha, o frio não era um inimigo, mas um convite à intimidade. Era a estação em que a casa se tornava um universo inteiro. O som da chuva batendo no telhado servia de trilha sonora para suas leituras mais densas. O inverno pedia lã, pedia café fumegante e, acima de tudo, pedia a presença daqueles que aquecem a alma por dentro. Era o tempo de hibernar as ideias para que elas ganhassem consistência.

 

Ela gostava de ver o vapor da própria respiração no ar da manhã, um lembrete físico de que estamos vivos e aquecidos em meio ao frio. As noites eram longas, e o silêncio do inverno parecia mais profundo, quase palpável. Era nessas horas que Marcinha escrevia suas crônicas mais introspectivas, mergulhando em memórias que o gelo do tempo não conseguia apagar. O inverno ensina o valor do essencial: um cobertor, um livro, uma palavra amiga. Tudo o que é supérfluo desaparece quando o termômetro cai.

 

Ao olhar pela janela a paisagem cinzenta, ela não via tristeza, mas a beleza da sobriedade. O inverno é a estação do aconchego, onde as árvores mostram sua estrutura real, sem o adorno das folhas ou flores. Marcinha sentia que a escrita de inverno era como um bom vinho: precisava de tempo, de calma e de temperatura certa para ser apreciada. Ao fechar a última página do dia, sentia que, embora o mundo lá fora estivesse gelado, sua "escrivaninha" era um foco de calor eterno, alimentado pela chama da criação que nunca se apaga!....

 

 Lucas Louis Neville Gouthier

Lucas Louis Neville Gouthier
Enviado por Lucas Louis Neville Gouthier em 20/10/2026
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