A POESIA COMO ESCUDO DO MUNDO
Meus amigos,
Vivemos em uma era de ruídos. Telas, pressa, números e métricas parecem ditar o ritmo da nossa existência. Onde fica o espaço para a pausa? Onde guardamos a nossa sensibilidade?
Corremos o risco de nos tornarmos autômatos de uma engrenagem fria, esquecendo que o que nos define é a nossa capacidade de nos emocionar. A pressa nos cega para os pequenos milagres da vida, transformando os dias em uma repetição utilitária. Se não pararmos para respirar o perfume de uma metáfora ou para nos perder na melodia de uma estrofe, estaremos apenas durando, e não vivendo em plenitude.
É aí que entra a poesia. Ela não é um luxo; é uma necessidade de sobrevivência da alma. O poema é o escudo que nos protege da frieza do cotidiano. Ele nos lembra de olhar para o ipê que floresce na calçada, de ouvir o silêncio entre as palavras de quem amamos e de sentir a dor e a alegria do outro. Que nunca percamos a capacidade de nos espantar com a beleza das coisas simples.

Lucas Louis Neville Gouthier